Tratamento de água salobra SWEETSEA com fornecimento integrado de energia solar – Ambovombe, Madagascar

Desafios e Oportunidades

O projeto surge como uma oportunidade técnica e estratégica para transformar a gestão da água em áreas de alta vulnerabilidade hídrica. Em Ambovombe-Androy, na bacia do rio Mandrare, a superexploração de poços de água salobra, o baixo desempenho dos sistemas convencionais e a carência crônica de infraestrutura hidráulica criaram uma dependência dispendiosa do transporte de água e ineficiências significativas. A tecnologia SWEETSEA, baseada em osmose reversa modificada e nanofiltração seletiva, oferece uma solução abrangente: dessaliniza a água salobra, mineraliza-a para consumo humano e a distribui por meio de energia solar limpa, eliminando a dependência do diesel e reduzindo as emissões.

 

A iniciativa é possível graças à colaboração entre a SWEETSEA/Acquapura, como desenvolvedora de tecnologia, a Fraternité Sans/Without Frontiers (FSF), como operadora comunitária, e verificadores externos independentes que garantem a conformidade com a VWBA 2.0. Este modelo é replicável porque combina infraestrutura modular, energia renovável e governança participativa, adaptável a outras comunidades rurais ou semiáridas da África Subsaariana. Agir agora é crucial: cada ano de atraso acarreta maiores custos com saúde, perdas de produtividade e degradação dos aquíferos; portanto, a implementação imediata gera benefícios tangíveis e mensuráveis ​​para a saúde, o meio ambiente e a sociedade.

Empresas com metas ambiciosas de sustentabilidade e ESG, especialmente nos setores de energia, alimentos, logística ou bens de consumo, podem liderar essa solução, posicionando-se como atores estratégicos na transição para uma economia com impacto hídrico positivo. Ao investir ou firmar parcerias nesse modelo, elas obtêm retorno em termos de reputação e conformidade regulatória, fortalecem sua diferenciação competitiva e se alinham às novas regulamentações de relatórios de sustentabilidade (CSRD, GRI 13) que exigem resultados rastreáveis ​​e verificáveis ​​na gestão da água.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

  • ODS 2 – Fome Zero: água potável aumenta a segurança alimentar, garantindo a higiene durante o preparo dos alimentos e fornecendo água para hortas comunitárias, fortalecendo a nutrição e a autonomia. Cada litro distribuído reduz as perdas por contaminação e melhora a saúde familiar.

 

  • ODS 3 – Saúde e Bem-estar: o projeto reduz de forma mensurável as doenças gastrointestinais e a desidratação, com uma redução estimada de 35% nos casos relacionados à água contaminada. Ele melhora a saúde de cerca de 10.000 pessoas, fornecendo água potável e para higiene, aumentando assim a produtividade e o bem-estar geral.

 

  • ODS 6 – Água Potável e Saneamento: este é o pilar central do projeto, impactando diretamente a disponibilidade, a qualidade e a gestão da água. Com uma produção anual de 2.160 m³ de água mineralizada, o equivalente a 21,6 milhões de litros ao longo de dez anos, a intervenção reduz a incidência de doenças transmitidas pela água, melhora a eficiência do uso da água e consolida a resiliência local em relação a WASH (água, saneamento e higiene). Os indicadores de resultado incluem o volume de água tratada e os parâmetros de qualidade (condutividade, cloretos, coliformes), monitorados por sensores e laboratórios acreditados, garantindo rastreabilidade digital e verificação VWBA (Voluntary Waters Benefit – Avaliação Voluntária da Qualidade da Água).

 

  • ODS 7 – Energia Acessível e Limpa: a substituição do diesel por energia solar elimina aproximadamente 1,4 toneladas de CO₂ por ano e reduz os custos operacionais em cerca de 30%. O sistema incorpora armazenamento de energia e operação híbrida, garantindo continuidade e resiliência a interrupções no fornecimento de energia.

 

  • ODS 12 – Consumo e Produção Responsáveis: promove a gestão eficiente e circular dos recursos, reduzindo o uso de produtos químicos de condicionamento, reutilizando materiais e aplicando manutenção planejada. A rastreabilidade digital do sistema evita o desperdício e otimiza o uso de peças de reposição com base em princípios de eficiência e ciclo de vida.

 

  • ODS 13 – Ação contra a Mudança Global do Clima: aumenta a capacidade de adaptação das comunidades à seca, proporcionando um fluxo estável de água e reduzindo a vulnerabilidade à variabilidade hidrológica. Mitiga as emissões e fortalece a segurança hídrica em cenários climáticos extremos.

 

  • ODS 17 – Parcerias para os Objetivos: estabelece uma rede colaborativa entre a SWEETSEA/Acquapura (tecnologia), a Fraternité Sans/Without Frontiers (operação e gestão social), verificadores independentes e potenciais compradores corporativos dos benefícios hídricos. Essas parcerias reforçam a governança local e o alinhamento global com a Agenda 2030, o Mandato da Água dos CEOs e as Metas Baseadas na Ciência para a Água.

Compreendendo o Projeto

A intervenção técnica consiste na modernização completa de uma planta de dessalinização existente, através da integração do módulo SWEETSEA, um sistema avançado que combina osmose reversa modificada e nanofiltração seletiva, complementado por remineralização controlada e energia fotovoltaica. O processo segue etapas precisas: captação de água salobra, pré-tratamento físico-químico, dessalinização por meio de membranas de alta eficiência, remineralização controlada para restaurar oligoelementos essenciais e armazenamento em tanques pressurizados e com controle higiênico. A operação incorpora monitoramento digital em tempo real utilizando sensores de IoT para vazão, condutividade, pressão e temperatura, garantindo a qualidade da água em cada etapa. O sistema está em conformidade com as normas internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS) para água potável, a norma ISO 24510 para gestão de serviços de água e as regulamentações nacionais de qualidade e segurança da água de Madagascar.

Esta solução aborda o problema estrutural da região, caracterizado pela extrema escassez de água e pela superexploração do aquífero salobro. Comparado ao cenário de referência, em que as comunidades dependiam de poços contaminados ou de entregas por caminhões-pipa a longas distâncias, o sistema proporciona um abastecimento local, estável e sustentável. Trata-se de uma resposta adequada a um contexto marcado por secas prolongadas, degradação ambiental e falta de infraestrutura, pois permite a geração autônoma de água potável limpa, reduzindo a pressão sobre os recursos naturais e melhorando as condições de vida. A solução não só resolve o déficit hídrico, como também introduz um modelo de energia renovável e rastreável que diminui a vulnerabilidade socioeconômica.

Os resultados esperados incluem um aumento significativo na disponibilidade anual de água, garantindo o abastecimento contínuo para milhares de moradores. A qualidade da água melhora substancialmente, com a remoção de sais, metais e contaminantes biológicos, e reduções notáveis ​​em parâmetros críticos como condutividade, cloretos, DBO e coliformes. Prevê-se uma redução direta das emissões devido à diminuição do uso de diesel no transporte e bombeamento, além de benefícios para a saúde pública, segurança alimentar e bem-estar social. O projeto agrega valor estratégico ao estar alinhado com o roteiro Water Positive e os princípios do VWBA 2.0, gerando benefícios mensuráveis ​​e auditáveis ​​que fortalecem a licença social para operar, a conformidade regulatória e a reputação ESG. Sua contribuição está alinhada com estruturas internacionais como as Metas Baseadas na Ciência para a Água (Science Based Targets for Water), a iniciativa NPWI e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em particular os ODS 6, 13 e 17.

Graças ao seu design modular e à capacidade de operar em ambientes isolados, o modelo é totalmente replicável. Pode ser aplicado em outras bacias semiáridas ou em setores como agricultura, turismo ou comunidades industriais, onde existam poços com radiação solar adequada e água salobra. A escalabilidade é garantida pela sua arquitetura compacta, facilidade de instalação e formação de operadores locais, apoiada por parcerias entre empresas de tecnologia, governos locais e organizações comunitárias. O seu impacto final transcende o abastecimento de água: contribui para o equilíbrio hídrico da bacia, reforça a resiliência climática, promove o emprego e a coesão social e simboliza um novo paradigma na gestão regenerativa da água.